O homem que urinava.
Não sabiam todo o nome completo do homem.Apenas o chamavam como todo mundo costumava chamá-lo na época. O nome real estava no roteiro do programa. Mas acho melhor agora nós deixarmos isso em segredo. Sabiam que ele tinha agora por volta de setenta anos. Professor universitário. Torcedor do Grêmio. Pensou em votar nas últimas eleições na Dilma. Mas não conseguiu. Porque ele estava há cinquenta anos fazendo xixi em uma privada. Sim. Cinquenta anos. Fazendo xixi. Dizem que tudo começou um dia, ou melhor, uma noite quando ele acordou com uma vontade muito grande de urinar. Saiu da cama. Primeiro o pé direito como sempre lhe dizia seu avô. Bocejou. Limpou os olhos e foi para o banheiro. Começou a urinar e pensar. E pensar. E pensar. E pensar. E nada de acabar. Pensou, urinou, pensou, urinou. E nada. Dizem que ele começou a ficar nervoso depois de uma hora. Dali há duas estava gritando por ajuda. E depois de cinco horas quase toda a quadra já tinha acordado com a gritaria do pobre homem. A policia havia sido chamada. Corpo de bombeiros. E nada. O homem não parava de fazer xixi. Chamaram médicos, especialistas no trato urinário. E não tinha jeito.Sempre havia alguém ao seu lado lhe dando algo para beber. Água quase sempre. um vinho de vez em quando...Não sabiam muitos detalhes da história, já que a família após o sensacionalismo inicial dos primeiros dias, resolveu se isolar do mundo jornalístico. E agora, depois de quase três anos de intensos preparativos e especificações o homem aceitou conceder uma entrevista. A equipe estava preparando os equipamentos com o máximo cuidado, os técnicos fazendo os mínimos ajustes na pauta. Estava quase na hora da viagem.
Mas voltemos novamente ao homem!
Dizem que depois de um mês ele começou a se acostumar com a ideia. Algumas semanas mais tarde faziam até reuniões familiares dentro do banheiro a fim de que o coitado pudesse participar. Depois de um ano ele até conseguia dormir em pé. Criou técnicas inimagináveis para ver televisão e ler ao mesmo tempo em que urinava. E o mais incrível é que o jato continuava sempre na mesma intensidade. E também na mesma Cor. Não importa o que ele comia ou bebia. A urina saía sempre branca. Como se fosse água. Sem cheiro. sem cor. Mas não acabava nunca. Deixou de trabalhar, pois não podia sair do vaso. Os parentes vinham visitá-lo e ele ficava meio que escondido atrás de um biombo a fim de evitar constrangimentos do conviva. Os filhos cresceram e casaram e ele lá. O homem foi pra lua ele lá ainda. Os Beatles começaram e acabaram e ele na mesma posição. E ele também quis saber quem matou Odete Roitmam; ele também teve dinheiro bloqueado na poupança pelo presidente; mas sempre lá; na frente do vaso; aquela mesma posição por anos; virou noticia; primeiro foi um jornal do bairro que foi lá entrevista-lo; depois uma rádio e outra e outra; até que veio um jornal maior; e de repente ele estava aparecendo no jornal nacional na semana seguinte. E então a família resolveu dar um basta naquele circo. E se isolaram completamente. Algumas raras vezes algum convidado mais ousado conseguia tirar uma foto do homem e vendia para algum jornaleco sensacionalista. Mas nunca ninguém mais havia conseguido uma entrevista com ele após os dias iniciais daquela saga histriônica.
Mas voltemos aos nossos queridos jornalistas.
Pois bem.Agora que completariam cinquenta anos do dia em que o famoso homem começara a fazer xixi seriam a única emissora de televisão que poderia filmá-lo; conseguiram exclusividade; mas haviam pago muito caro por isso. E valia a pena? Sim. O homem era famoso; uma boa reportagem poderia trazer uma boa audiência e uma boa audiência traria uma receita publicitária melhor ainda.
E assim dezenas e até centenas de empresas se dispuseram a patrocinar a rede de teve já que o retorno na mídia seria um estrondoso sucesso. Gastaram muito dinheiro sem dúvida. Mas o retorno seria no mínimo o triplo do que tinham gasto. Compraram os melhores equipamentos. contrataram o repórter global mais caro
E assim, dessa forma nossos heróis entraram no jatinho fretado e saíram na viagem em direção à fama.
Depois de algumas belas horas de voo chegam ao destino; um casarão; com ar de abandonado; tocam a campainha; uma senhora idosa atende.
- Olá viemos ver o homem que faz xixi há 50 anos.
- Ah, podem entrar. diz a bondosa velhinha.
-Vou lá fazer um café e vocês podem subir lá para falar com o velho!
Sobem as escadas. O banheiro é no segundo andar. No corredor já podem ouvir o chiado característico do jato de urina. o câmera liga a câmera. jogos com centenas de luzes são acesas. o reporter unxuga o suor da testaEntram no banheiro e quando vão fazer a primeira pergunta o barulho cessa. Olham uns para os outros assustados. O câmera não sabe o que filmar. O homem está de costas em frente ao vaso parado. O repórter não sabe o que dizer com o microfone na mão. O homem se vira e olha para a câmera calmamente. Sorri. Suspira. Fecha o zíper. E diz : -Acabei...
Mas voltemos novamente ao homem!
Dizem que depois de um mês ele começou a se acostumar com a ideia. Algumas semanas mais tarde faziam até reuniões familiares dentro do banheiro a fim de que o coitado pudesse participar. Depois de um ano ele até conseguia dormir em pé. Criou técnicas inimagináveis para ver televisão e ler ao mesmo tempo em que urinava. E o mais incrível é que o jato continuava sempre na mesma intensidade. E também na mesma Cor. Não importa o que ele comia ou bebia. A urina saía sempre branca. Como se fosse água. Sem cheiro. sem cor. Mas não acabava nunca. Deixou de trabalhar, pois não podia sair do vaso. Os parentes vinham visitá-lo e ele ficava meio que escondido atrás de um biombo a fim de evitar constrangimentos do conviva. Os filhos cresceram e casaram e ele lá. O homem foi pra lua ele lá ainda. Os Beatles começaram e acabaram e ele na mesma posição. E ele também quis saber quem matou Odete Roitmam; ele também teve dinheiro bloqueado na poupança pelo presidente; mas sempre lá; na frente do vaso; aquela mesma posição por anos; virou noticia; primeiro foi um jornal do bairro que foi lá entrevista-lo; depois uma rádio e outra e outra; até que veio um jornal maior; e de repente ele estava aparecendo no jornal nacional na semana seguinte. E então a família resolveu dar um basta naquele circo. E se isolaram completamente. Algumas raras vezes algum convidado mais ousado conseguia tirar uma foto do homem e vendia para algum jornaleco sensacionalista. Mas nunca ninguém mais havia conseguido uma entrevista com ele após os dias iniciais daquela saga histriônica.
Mas voltemos aos nossos queridos jornalistas.
Pois bem.Agora que completariam cinquenta anos do dia em que o famoso homem começara a fazer xixi seriam a única emissora de televisão que poderia filmá-lo; conseguiram exclusividade; mas haviam pago muito caro por isso. E valia a pena? Sim. O homem era famoso; uma boa reportagem poderia trazer uma boa audiência e uma boa audiência traria uma receita publicitária melhor ainda.
E assim dezenas e até centenas de empresas se dispuseram a patrocinar a rede de teve já que o retorno na mídia seria um estrondoso sucesso. Gastaram muito dinheiro sem dúvida. Mas o retorno seria no mínimo o triplo do que tinham gasto. Compraram os melhores equipamentos. contrataram o repórter global mais caro
E assim, dessa forma nossos heróis entraram no jatinho fretado e saíram na viagem em direção à fama.
Depois de algumas belas horas de voo chegam ao destino; um casarão; com ar de abandonado; tocam a campainha; uma senhora idosa atende.
- Olá viemos ver o homem que faz xixi há 50 anos.
- Ah, podem entrar. diz a bondosa velhinha.
-Vou lá fazer um café e vocês podem subir lá para falar com o velho!
Sobem as escadas. O banheiro é no segundo andar. No corredor já podem ouvir o chiado característico do jato de urina. o câmera liga a câmera. jogos com centenas de luzes são acesas. o reporter unxuga o suor da testaEntram no banheiro e quando vão fazer a primeira pergunta o barulho cessa. Olham uns para os outros assustados. O câmera não sabe o que filmar. O homem está de costas em frente ao vaso parado. O repórter não sabe o que dizer com o microfone na mão. O homem se vira e olha para a câmera calmamente. Sorri. Suspira. Fecha o zíper. E diz : -Acabei...
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