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Sessenta minutos

Eles se conhecem na rodoviária da cidade. Ele está esperando o ônibus para Tramandaí. Ela vai indo para Gramado. Começam a conversar na sala Vip. O ônibus dos dois sairá em uma hora. Sessenta minutos. Ele é professor de literatura. Ela é dentista. Ele vai de executivo. Ela de Leito. Ele é viúvo. Ela divorciada. Ele é loiro. Ela ruiva. Estranho. Nunca tinha conhecido uma mulher ruiva antes. Gostou da cor do cabelo dela. Bebem um café, dois. Quinze minutos já se passaram. Conversam animadamente.Ah, ela também é apaixonada por Kafka? Interessante! Ele não conhece nenhuma mulher que adore o "mestre", como ele costuma chamar o escritor. Sim!Ele também adora os sorvetes secos! Aqueles que vendiam em bares perto de sua escola, geralmente acompanhados por uma balão ou uma bexiguinha de brinde... -Tá brincando? Ele também adorava passear por horas à toa naquelas lojas do centro de Porto Alegre, sebos, livrarias antigas, lojas de discos.Enquanto ela fala de uma lojinha ótima na Doutor ...

Noite

Ele saiu pela noite. Apenas abriu a porta E saiu... Não levou as chaves... Não levou os documentos... Não levou O coração... Saiu! E caminhou ... E correu... E chorou... Noite adentro! Por muito muito tempo! Agradecendo por não ouvir apenas o vento... Lembrou daquela música do Caetano... Pensou em outras noites... Outras músicas... E chorou de novo! Parou de correr E começou a caminhar. Lentamente... Já não chorava... Voltou e abriu a porta... Subiu as escadas.... Entrou em casa... E trazia novamente o coração consigo! Fechou a porta E recomeçou outra vez a vida!

Cigarro mata

-Oi! -Você tem fogo? Ele olhou para a dona da voz. Maravilhosa. Nem muito alta e nem baixa. Nem gorda e nem magra.Loira? não saberia dizer, o cabelo dela era mais ou menos como um por do sol no fim da tarde, amarelado, alaranjado, acobreado. Mas definitivamente era muito bonito.Ela poderia perfeitamente ser uma atriz de novela, ou uma modelo. E estava ali, parada na sua frente, mexendo a boca sem falar nada... -Olá!Você está me ouvindo? Ah que idiota, ela estava falando comigo... -Fogo? -Sim, fósforos, isqueiro... -Ah, sim.Espera um minuto. Claro que ele tinha fogo.Ele era um fumante. Já tinha perdido a conta de quantas vezes havia tentado parar de fumar. Que inferno. A última vez foram quatro anos. E ele teve uma recaída. Que estava durando até agora. Felizmente! -Aqui ! Ela segurou o isqueiro com as duas mãos. Protegendo a chama do vento. Mãos que não ostentavam nenhuma aliança. Mãos com unhas pintadas de vermelho. Não sei por quê, mas sempre adorei mulheres com unhas pint...